*Artigo escrito por Andréa Brandão
A inteligência artificial pode ser uma ferramenta de auxílio para criar arte sem perder a própria voz, o estilo, a sensibilidade e a essência. Mas, para que para que uma obra seja verdadeiramente concluída, ela precisa carregar a identidade do autor que está por trás dela.
É o autor quem detém a mensagem. É ele quem conhece suas experiências e aquilo que deseja transmitir. O formato, o estilo e a entonação precisam dialogar com essa mensagem. Quando não há esse cuidado e esse direcionamento, o resultado pode se tornar frio, linear e distante daquilo que a obra pretende comunicar. É diferente quando existe uma identidade humana conduzindo o processo.
Falar sobre a dor, por exemplo, envolve muito mais do que organizar palavras. Como uma inteligência artificial poderia compreender plenamente a saudade, se até algumas línguas não possuem uma tradução exata para determinados sentimentos? Como poderia compreender a dor de perder um filho, se não existe um nome específico para definir essa dor? Da mesma forma, existem outros sentimentos humanos complexos, como a experiência de se conectar com o Criador e a própria fé — algo que não se vê, mas se sente.
Quando se escreve, existe uma tradução de sentimentos em palavras, versos e histórias. Essa transformação acontece por meio da combinação de palavras, significados, imagens e metáforas. São instrumentos que só ganham verdadeiro sentido quando pensados, sentidos e, principalmente, vividos.
Essa é uma diferença que dificilmente permitirá que a inteligência artificial seja igual à inteligência emocional e humana. A ferramenta pode contribuir, ampliar possibilidades e materializar ideias, mas não substitui aquilo que nasce da experiência, da sensibilidade e da essência de quem cria.
Por isso, a inteligência artificial deve estar a serviço do criador, e não o contrário. São os artistas que conduzem, definem, direcionam, escolhem, ajustam e decidem o que permanece ou não na obra.
O uso dessas ferramentas precisa acontecer com responsabilidade, respeito e, acima de tudo, amor. É o amor que traz equilíbrio e mantém a humanidade presente no processo criativo.
A evolução é necessária e faz parte do mundo. As novas tecnologias podem e devem ser utilizadas a favor da criatividade, permitindo que ideias alcancem mais pessoas, atravessem fronteiras e encontrem novos formatos de expressão.
A arte não tem limites, mas tem formas. Tem sentido. E, sim, tem sentimentos. A voz vem de dentro dos seres humanos, e não de fora. Quando se acredita nessa máxima, deixa-se de enxergar as novas soluções como ameaças e passa-se a reconhecê-las como aliadas para chegar mais longe e cumprir missões por meio da arte e da criatividade. ]Cada pessoa deve ter liberdade para escolher e decidir por si mesma, sem julgamentos ou discriminação, sempre com tolerância e respeito. São valores que, diante do cenário atual, parecem estar um pouco perdidos, mas que continuam sendo fundamentais para que tecnologia e humanidade possam caminhar lado a lado.
*Andréa Brandão é escritora, compositora, produtora musical e responsável pelo projeto artístico “Versos que Cantam”, que conta com livro publicado e canções disponíveis nas plataformas digitais
Com informações de LC - Agência de Comunicação






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