Artigo escrito por Thadeu Martins*
Créditos: Banco de imagens / Pexels
Um yogue urbano pode ser aquele cara tranquilo fazendo seu trabalho com atenção apesar das dificuldades e dos imprevistos que sempre surgem para desviar o seu foco. O telefonema de golpe ao fim da manhã e da tarde, a chegada de encomenda do Mercado Livre, a notificação sonora de outra mensagem no celular, o gatinho da casa miando por comida, o alarme pra pegar as crianças na escola... isso não dá tréguas!
Faz tempo que essas situações acontecem até mesmo na mitologia. Dizem, por exemplo, que o rei Midas, de tanto lutar com o excesso de preocupações para governar e resolver os problemas do seu reino, resolveu retirar-se por uns dias na floresta dos sátiros. Lá, quis conversar com o mais sábio deles, Silêncio, para um aconselhamento que lhe trouxesse paz e tranquilidade para superar a vida agitada de governante e lhe permitisse ser apenas alguém autenticamente ele mesmo em meio a tantos papéis para dar conta. Não é fácil pra ninguém!
Ele bem que tentou atrair a atenção do Silêncio para uma entrevista pessoal. Falou com vários sátiros e apelou aos inúmeros outros seres míticos que encontrou na floresta, mas o máximo que conseguiu foi uma lacônica mensagem daquele sábio inescrutável por intermédio de uma ninfa que dele apiedou-se. A mensagem dizia: “Quem não encontra o silêncio dentro de si, não o encontrará na floresta, nem em lugar nenhum.”
Vem de volta o pobre Midas a caminhar pela floresta (todos conhecem essa parte da história), quando por uma irônica sorte acha uma pequena flauta pertencente a uma protegida de Dionísio. Logo em seguida, encontra-se com aquele próprio deus do vinho, da alegria e dos prazeres contagiantes, que lhe oferece em troca da flautinha atender a qualquer pedido que Midas fizesse. Pois então parece que as coisas podem dar certo.
Que silêncio, que nada, para resolver todos os seus problemas no reino, Midas decidiu pelo poder de pagar quaisquer serviços e custos materiais necessários e, assim, não ter mais preocupações que distraíssem a realização de seus desejos e suas responsabilidades. Pediu, então (como todo mundo sabe), que tudo o que ele tocasse fosse transformado em ouro. Mas não deu muito certo, não é? Afinal, “para todo problema complexo há sempre uma solução fácil, rápida e errada”, como diz a sabedoria popular.
Ah! Se ele tivesse escutado o que aquela mensagem dizia, a história poderia ser bem melhor. Em vez de tragédia grega, poderia ter sido uma aventura ambientada na Índia dos yogues que respiram para acalmar a mente. Talvez ele tranquilizasse o coração propiciador do silêncio tão necessário para tomar as decisões adequadas a cada situação desafiadora, tanto na vida pessoal, quanto na social.
Os yogues urbanos desenvolveram um método de obter o silêncio tão valioso para realizar seus propósitos conforme as circunstâncias da vida social. Não é muito fácil, nem rápido, mas é eficaz e disponível para quem for inteligente.
* Thadeu Martins é mestre em Psicologia, professor de Yoga há mais de 50 anos e autor do livro “Conversas com um yogue urbano”
Com informações de LC - Agência de Comunicação






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